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A morte da política tradicional

O mundo da política tradicional está em crise e a culpa não é somente das revelações de corrupção feitas pela Operação Lava Jato. A insatisfação generalizada começou antes das investigações, e se fez visível a partir das manifestações em 2013, quando milhões de brasileiros foram às ruas com diversas bandeiras e um slogan: “Política não me representa”, endereçado a eleitos de qualquer sigla.

Os cientistas políticos foram unânimes nos alertas de que se tratava de uma crise de legitimidade. Explicaram que o principal recado da população verde-amarela estava claro: as pessoas não se sentem mais representadas pelos políticos à moda antiga.

Passados quase quatro anos de junho de 2013 a Lava Jato continua a monopolizar a mídia e a lista de políticos envolvidos nas investigações cresce diariamente. O saldo da Operação impressiona em muitas frentes: pelas altas cabeças condenadas ou sob suspeição, pelo enorme volume de dinheiro desviado dos cofres públicos e pela sensação generalizada de que o sistema político morreu por falência múltipla dos órgãos.

O problema não é restrito ao Brasil. O sociólogo português Boaventura de Souza Santos atestou a falência do sistema partidário americano e apontou duas questões inéditas na última eleição nos EUA. Uma, o fato de o então candidato Donald Trump dizer que poderia não reconhecer o resultado se não ganhasse. Outra é a questão de o dinheiro ter cada vez maior influência nos processos eleitorais dos países.

Há diversos outros sinais de que o atual sistema de representação político-partidária carece de legitimidade e de credibilidade. No Brasil temos as crescentes abstenções de eleitores, a barganha fisiológica por votos no Congresso na feira-livre do toma-lá-dá-cá, além da midiática captura das principais cabeças coroadas da política nas garras da Lava Jato.

São muitos os parlamentares que estão vivenciando a agonia da espera da quebra do sigilo das delações da Odebrecht. Tamanha tensão do momento atual levou o deputado Lúcio Vieira Lima a fazer o seguinte prognóstico a um colunista de política: “Estamos esperando a morte chegar”.

Ainda não sabemos os detalhes finais deste filme da política nacional, mas o cenário está ambientado no velório da figura do político tradicional.

Na linguagem da comunicação, já foi decretada a sentença de morte de todos os políticos e líderes que não souberam compreender as mensagens ditas nas ruas, nas redes sociais, nas urnas e nas filas de espera dos sistemas de saúde e do ensino público.

O “soft power” de Lúcia Flecha de Lima

Considerada um ícone da elegância e de glamour, a embaixatriz Lucia Flecha de Lima soube compreender a estatura de seu papel na esfera pública ao longo dos anos em que acompanhou o marido, embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, em chancelarias do Brasil em Roma, Paris, Londres e Washington.

“Eu sou mulher de embaixador 24 horas por dia”, afirmou, à época, por saber que qualquer coisa que fizesse lá fora refletiria na imagem da mulher brasileira. Dona Lúcia, como era conhecida, foi uma agente do chamado “soft power”, conceito criado pelo pensador da Universidade de Harvard Joseph Nye que remete às ações de “poder suave”, em oposição ao “hard power”. Consiste em influenciar, em exercer o poder por meio do convencimento, caracterizado por elementos como mídia e cultura.

A questão do poder está ligada à legitimidade de quem o exerce. Assim, o exemplo a ser lembrado da embaixatriz não é só pelas amizades que desenvolveu com personalidades como a princesa Diana, a Lady Di, de quem era muito amiga, ou com o   casal Hillary e Bill Clinton. Vem de sua compreensão do seu papel de ser no exterior uma representante da mulher brasileira. Ela sabia que qualquer atitude sua teria impacto na imagem e na reputação de milhares de compatriotas do sexo feminino.

Lúcia Flecha de Lima faleceu no último domingo (2), aos 76 anos, vítima de um câncer.

A estocada verbal de Gilmar Mendes no TST

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Gilmar Mendes cometeu mais um de seus atos de incontinência verbal, ao chamar o Tribunal Superior do Trabalho de “laboratório do PT”, e que conta com simpatizantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

A polêmica declaração foi seguida de reações, notas de protesto de vários representantes do mundo jurídico. O presidente do TST, ministro Ives Gandra Martins Filho, replicou que “não se pode admitir agressões dessa espécie, que extrapolam a salutar divergência de ideias”.

Em nota, o Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor) manifestou solidariedade aos ministros do TST diante das declarações “descabidas, equivocadas e agressivas” de Gilmar Mendes.

Bate-bocas em público não deveriam existir entre agentes e autoridades de nenhum poder da República, especialmente da cúpula do Judiciário, a quem cabe a palavra final em muitos contenciosos de cidadãos comuns.  Os ânimos tendem a se agravar com os debates em torno da reforma trabalhista que estão por vir.

Descubra o que o Facebook sabe sobre você

É fato que Facebook nos conhece mais que nossos próprios vizinhos, mas você sabe exatamente quais informações a plataforma possui sobre sua vida? A rede social consegue supor seu status de relacionamento mesmo que não esteja público, estimar sua renda ao cruzar uma base de dados genérica sobre a distribuição de renda de onde você mora. Além disso, sabe os lugares que você frequenta, sua localização geográfica e até seu modelo de celular. O Facebook tenta descobrir informações suas a partir dos rastros digitais de cada usuário processados por um algoritmo específico da plataforma. Mas isso não seria ilegal? Não, porque nós aceitamos essa vigilância 24/7 naqueles termos de uso que ninguém lê, lembra? E também por não existir uma legislação especifica para tratamentos de dados pessoais no país.

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