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Gráfico mostra diferenças entre os termos mais utilizados pelos deputados nas votações do impeachment e da investigação contra Temer. Clique na imagem para ampliá-la

 

Quinze meses após a Câmara autorizar a abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, a “esperança”, a “família” e os “filhos” deram lugar à “economia”, à “estabilidade” e ao “emprego” na votação que barrou a investigação do presidente Michel Temer nessa quarta-feira (2). Essas foram as expressões mais utilizadas pelo lado vencedor nas duas votações históricas, revela levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa de Dados (Ibpad) cujas principais conclusões o Congresso em Foco publica com exclusividade.

Já do lado vencido, os termos “democracia”, “golpe” e “trabalhador”, que foram os mais recorrentes entre os defensores de Dilma na sessão de 16 de abril de 2016, foram substituídos ontem pelas palavras “direito”, “previdência”, em alusão à proposta de reforma do governo, e “investigação”. O governo venceu a disputa ontem, com 263 votos pelo arquivamento do pedido de investigação contra 227 pelo seu prosseguimento. Era necessário o apoio de pelo menos 342 deputados para que a apuração fosse submetida ao Supremo Tribunal Federal.

Dessa vez não houve confetes ou serpentinas, nem bandeiras envolvidas ao corpo, nem dedicatórias a Deus, aos filhos, aos netos e aos cônjuges, como ocorreu na votação do impeachment, espetáculo que provocou ojeriza em grande parte da sociedade brasileira e da imprensa estrangeira. As declarações de voto agora foram mais tímidas e acanhadas. Mas uma análise das expressões mais recorrentes nos discursos de declaração de voto pró ou contra Temer evidencia seis eixos de argumentos, três de cada lado, identificados por meio de técnicas avançadas de análise de texto, que, de forma matemática, relaciona termos próximos utilizados dentro de um mesmo argumento.

Acima, como os deputados se dividiram em seus discursos na votação dessa quarta-feira. Clique na imagem para ampliá-la

Os defensores do arquivamento do pedido de investigação apelaram, em primeiro lugar, à “estabilidade” e aos “empregos”. Em segundo lugar, ficou a turma mais “pragmática”, na definição do Ibpad, isto é, aquela que foi mais econômica ao microfone e preferiu basicamente registrar sua posição. Na sequência, aparecem aqueles parlamentares que optaram por declarar o voto “com o relator”.

Do outro lado, entre os deputados que apoiavam a autorização para que o Supremo analisasse a denúncia contra Temer, a justificativa mais frequente foi de que a “investigação deve continuar”, seguida pela “defesa dos direitos”, como os trabalhistas e previdenciários, alvos de reforma do atual governo, e pelas falas que reuniram de tudo um pouco, mas nada muito representativo.

A pesquisa também mostra o grau de alinhamento entre os partidos. Na oposição, o PT, o PCdoB e o Psol afinaram o discurso na defesa de direitos, como os relacionados à Previdência e à reforma trabalhista. Já o PSDB, que rachou na votação, apelou mais à defesa das investigações. Mesmo argumento utilizado pelo PDT e pelo PPS, que deram a maioria de seus votos a favor do andamento das apurações. Já o PSB e a Rede usaram expressões mais difusas para justificar suas posições contrárias a Temer. Ao contrário da Rede, o PSB, do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, registrou dissidências em plenário.

Do lado dos parlamentares que blindaram Temer, o PTB, o PRB, o PSC e o PSL foram os que mais recorreram ao discurso de defesa da “estabilidade” para blindar o peemedebista. Partido de Temer, o PMDB ficou entre os mais “pragmáticos”, ao lado do também governista Solidariedade. Ou seja, segundo o Ibpad, a maioria dos peemedebistas optou por discursos mais concisos ao declarar o seu voto a favor do presidente. Ao todo, seis deputados do partido votaram pelo andamento das investigações.

Para o diretor-executivo do Ibpad, Max Stabile, as diferenças registradas na votação do impeachment de Dilma e da negativa para investigar Michel Temer reforçam a sensação da sociedade de falta de perspectiva para o país. Se os defensores do impeachment depositavam alguma esperança em Temer, em abril do ano passado, o que resta agora é frustração.

“Pelos discursos dos deputados, Dilma tinha de sair para garantir a esperança e o futuro do país e da família. Agora, os deputados livraram Temer da investigação recorrendo ao argumento de que sua presença é necessária para garantir a estabilidade econômica”, diz Max, que é cientista político.

Para fazer a análise, o Ibpad transformou os discursos das duas votações em uma base de dados, que foi submetida então a um software para fazer a associação entre os termos que mais apareceram nas declarações de voto.

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