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Alex Canziani*

Nos primórdios da economia mundializada, o Brasil chegou a ter a empresa mais rentável do Planeta – as fazendas de produção de açúcar. O nosso infortúnio foi que toda aquela riqueza não criou um mercado interno, pois a mão-de-obra era escrava, e não foi aplicada na formação de uma massa crítica que desse respaldo ao desenvolvimento sustentável. A atual crise nos coloca numa encruzilhada que é a oportunidade de refletirmos sobre os erros e acertos do passado. A inserção na economia mundial e as políticas de inclusão por meio da educação são as fórmulas para resgatarmos os protagonismos experimentados no passado remoto e no mais recente.

Este ano celebramos 210 anos da abertura dos portos decretada por Dom João VI no contexto das guerras napoleônicas, que sacudiram a Europa e mudaram os rumos da nossa história. Esse foi o pretexto para o Congresso incluir no calendário oficial brasileiro o 28 de janeiro como o Dia Nacional do Exportador a partir deste ano.

Desde 98, alternamos ciclos de saldos negativos e positivos na balança comercial, mas foram predominantemente positivos. E, depois de cinco anos de variação negativa no volume das exportações, experimentamos um salto de 17,5% no ano passado, acumulando um saldo de quase US$ 67 bi. Isso indica que o mercado externo voltou a ser favorável. Temos que agarrar essa oportunidade.

Reprodução APPA

"Desde 98, alternamos ciclos de saldos negativos e positivos na balança comercial, mas foram predominantemente positivos"

O exemplo vem da China. Alavancou sua economia e alçou a posição de segunda economia do Planeta exatamente com uma estratégia agressiva de exportações, que lhe permitiu acumular poupança em moeda forte e investir na sua infraestrutura e no desenvolvimento tecnológico. Consolidada essa etapa, mira seu desenvolvimento no fortalecimento do mercado interno, numa mudança radical de estratégia.

O Brasil obteve relativo sucesso operando o ciclo inverso, de crescimento baseado no fortalecimento do mercado interno. Precisamos agora, como os chineses, ter a coragem de realizar um verdadeiro cavalo de pau na economia e fincar nossos esforços no tripé exportar, poupar e investir.

Precisamos aproveitar os superávits da balança comercial que estão sendo retomados para investir no desenvolvimento tecnológico que nos permita beneficiar as matérias primas que hoje exportamos aqui mesmo, e assim vender produtos com maior valor agregado. Mais renda e mais empregos é tudo o que precisamos nesse momento.

Além do inadiável ajuste nas contas públicas, temos que investir nos centros de pesquisa que sustentam a produção tecnológica e o pouco de competitividade que o Brasil ainda ostenta. Precisamos também transformar em ações concretas a prioridade que todos atribuímos à Educação. É por meio da Educação de qualidade para todos é que vamos conseguir ampliar a efetividade de políticas públicas que consomem muitos recursos e trazem tão poucos resultados.

Reduzir o déficit e ao mesmo tempo aumentar o investimento em áreas estratégicas é um desafio extraordinário que exigirá mudanças de paradigmas que vão mexer com toda a sociedade. O sucesso disso, depende do envolvimento de todos e, por isso, o processo eleitoral pode ser uma oportunidade, no lugar de ser um empecilho, para a adoção das decisões difíceis que precisamos tomar.

Está claro para todos que chegamos ao fim de um ciclo e este é um momento perturbador. Não sabemos o que está por vir e o que devemos fazer. É hora de desarmar os espíritos e nos esforçar para construir os novos consensos que serão necessários para convergir o enorme esforço coletivo que será fundamental para superarmos a crise que interdita nossa economia.

* Alex Canziani é deputado Federal pelo PTB do P e presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação.

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