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O luxuoso refúgio de Joesley Batista em Nova York

Pivô da mais recente crise política do país, dono do grupo JBS tem apartamento de luxo no coração da cidade. Imóvel no edifício, que também abriga um hotel 5 estrelas, custa em torno de R$ 30 milhões. Veja as fotos do Baccarat Residences

por Edson Sardinha Publicado em 19/05/2017 11:35

Entrada do edifício onde Joesley tem apartamento e foi visto nos últimos dias por funcionários

“À luz branca do dia, arco-íris em cascata, um espectro de amostras se lançam de um trilhão de facetas. À noite, brilho esmaecido e taças de champanhe. Esferas de gema vermelha de rosas frescas. Isso é Baccarat.” É com essa promessa de luxo que se apresenta, em sua página na internet, o edifício onde o empresário Joesley Batista, pivô da mais recente crise política do país, se refugia quando está em Nova York. Um dos donos do grupo JBS, o novo delator da Operação Lava Jato é proprietário de um apartamento em um dos últimos andares do Baccarat Residences, localizado na esquina da Rua 52 com a Quinta Avenida, em frente ao Museu de Arte Moderna, no coração da cidade.

No edifício, de 50 andares, um imóvel custa de US$ 8,5 milhões (R$ 28 milhões) a US$ 9,5 milhões (R$ 31,3 milhões). As unidades residenciais ficam no topo do prédio. Embaixo, funciona um luxuoso hotel 5 estrelas. A diária mais econômica custa cerca de US$ 1 mil.

Assim como os hóspedes, os moradores do Baccarat têm acesso irrestrito ao restaurante, às piscinas, à academia, ao bar, à sauna e ao spa, entre outras comodidades de um hotel. Têm também a segurança e a privacidade de um condomínio. O prédio, inaugurado em 2014, foi projetado e erguido pela Skidmore, Owings & Merrill (SOM), uma das maiores e tradicionais empresas de arquitetura e engenharia dos Estados Unidos.

Veja as fotos na galeria:

Destino ignorado

Depois de depor e entregar gravações e documentos à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal (STF) que comprometem, entre outros, o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), Joesley viajou para os Estados Unidos. Chegou a ser visto por funcionários do edifício circulando pelos corredores do Baccarat. Mas não foi visto mais desde que vazaram trechos da delação premiada dele, na última quarta-feira (17). Especula-se desde que ele tenha se hospedado em algum hotel na cidade até que tenha ido para o estado do Colorado, base da JBS no país. O grupo tem mais de 60 fábricas em território norte-americano.

Os trechos divulgados da delação até agora trazem conversas gravadas por Joesley com Michel Temer e Aécio. No diálogo com o presidente, ele conta, entre outras coisas, que tinha um procurador informante no Ministério Público Federal e que “segurava” dois juízes que estavam em seu caminho. Também fez menção a negociações financeiras com Eduardo Cunha para que o ex-deputado cassado não fizesse delação premiada. Temer ouviu tudo sem tomar qualquer atitude, em alguns momentos chego a dizer “ótimo, muito bom” sobre as tratativas para obstruir a Justiça.

A Polícia Federal também gravou a entrega de uma mala com R$ 500 mil enviada por Joesley ao deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), escalado pelo presidente para tratar de assuntos de interesse da JBS. O empresário também gravou conversas em que Aécio lhe pede R$ 2 milhões. O rastreamento mostrou que o dinheiro foi parar na empresa do filho do senador Zezé Perrella (PMDB-MG), aliado do presidente do PSDB.

O áudio da conversa entre Joesley e Temer

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