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Sophia: “Na adolescência já tinha sentimento de paixão por querer entender e trabalhar com política”

Por Sophia Teodoro Cavalcante *

Já parou para pensar o que se passa na cabeça de um jovem brasileiro diante do cenário político no qual nos encontramos? Se nós, jovens, somos o futuro desse país, como devemos nos posicionar e manter a esperança em algo que parece que nunca irá melhorar? Afinal, é tanta violência, corrupção, desigualdade, individualismo, que fica difícil crer que algum dia será diferente.

Não sabemos o que pode acontecer amanhã, mas acredito que se buscarmos fazer nossa parte, pelo menos entender um pouco mais sobre como tudo funciona – ou deveria funcionar – já é um grande começo. Muitas vezes me questiono como deixamos um país como o Brasil com tanto potencial chegar ao nível em que se encontra, onde tudo parece estar indo por água abaixo. Sei que não vou ser capaz de transformar as coisas da noite para o dia, mas eu acredito em uma vida de crescimento constante. Durante o nosso dia a dia somos, sim, capazes de evoluir, pois tudo é uma questão de decisão e ação.

Confesso que desde a adolescência já tinha um sentimento de paixão por querer entender e trabalhar com política. Diversas vezes escutei, e escuto até hoje, pedidos para eu desistir, que a política é suja demais e que se eu entrar “para isso” me tornarei igual aos que já fazem parte dela. Contudo, é incrível quando algo fala tão alto dentro de você, que não te deixa desistir.

Você talvez possa estar lendo esse texto e querendo entender aonde chegarei com todo esse “blábláblá”. Mas deixa eu te dizer uma coisa: você, querendo ou não, sempre estará inserido nesse mundo, cheio de conflitos e interesses. Cabe a você tomar uma decisão e se posicionar. Todos querem mudanças, mas quantos verdadeiramente estão dispostos a pagar o preço por isso? Não é utopia, é simplesmente mudança de pensamento, é algo constante, é como um relacionamento, precisa de cuidado e dedicação para ser mantido. Acho que todos se lembram, para quem assistiu, de uma das cenas finais do filme “Tropa de Elite 2”, na qual o personagem do Wagner Moura diz a seguinte frase: “Não é à toa que acontece tanto escândalo em Brasília, que entra governo, sai governo e a corrupção continua. Para mudar as coisas vai demorar muito tempo”. Acho que não tem como não concordar, pois é exatamente o que disse anteriormente, é uma questão de estar disposto a lutar por algo que se acredita.

E querendo matar a minha vontade por conhecimento, fui buscar entender na teoria e na prática tudo o que se passa no Congresso Nacional. Acabei vivenciando momentos muito marcantes, em três oportunidades que apresentarei melhor nos parágrafos seguintes: Estágio Participação, Estágio Visita e Projeto Politeia.

Os dois primeiros são oferecidos pela Segunda-Secretaria da Câmara dos Deputados a estudantes de todo o país. Foram dois momentos incríveis. Além de fazer grandes amizades, com pessoas do Norte ao Sul desse país, aprendi a real relevância de respeitar a visão do próximo, a discutir de forma inteligente, tendo que utilizar argumentos plausíveis para defender meu posicionamento e para poder também questionar. Tive aulas acerca do funcionamento do Poder Legislativo com grandes profissionais da Casa e desmistifiquei a ideia de que servidor público “não trabalha”. Foram dias de grande crescimento intelectual assim como pessoal. Em ambos os estágios tive a plena certeza de que eu e outros milhões de jovens estamos no caminho certo. Melhor ainda, foi ver jovens que conheci durante esses dois estágios no Congresso Nacional se candidatarem e vencerem nas Eleições de 2016. Para mim, foi a confirmação de que mesmo diante de tantas dificuldades, ainda existem muitas pessoas dispostas a construir algo novo.

O Projeto Politeia é a simulação do sistema legislativo brasileiro, é a chance de vivenciar na pele alguns momentos da legislatura de um real deputado. Ou seja, desde a escolha por um partido até a votação de um projeto de lei em plenário. Você tem a oportunidade de produzir, discutir e votar projetos de lei criados pelos participantes. É a chance de poder se candidatar à presidência da Casa ou de alguma comissão, ou até mesmo ser líder por um partido e entender a responsabilidade que os verdadeiros representantes do povo possuem. É aprender um pouco do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, é defender seus ideais sem medo, e no final da simulação, chegar à conclusão de como é complexo, mas ao mesmo tempo satisfatório cuidar de demandas tão importantes para uma nação.

A minha vontade de querer estar na Câmara dos Deputados me fez procurar caminhos justos que me levassem até lá. Movida por uma paixão pelo Poder Legislativo, fui atrás de oportunidades que se encaixaram muito bem com a vida de uma mera jovem universitária. Nos momentos em que estive lá, nunca pensei que estaria escrevendo um texto a respeito das experiências que tive naquele local.

Eu vejo a vida como uma escadinha, não sei o que me aguarda no próximo degrau, mas sei que tudo o que eu faço hoje deve estar inteiramente conectado ao que eu desejo alcançar lá na frente. Aos olhos de muitos, meus simples momentos no Congresso Nacional podem parecer bem insignificantes, mas ninguém, literalmente ninguém, sabe aonde eu posso chegar vivendo momentos tão simples como esses. Agora eu consigo entender verdadeiramente a seguinte frase: “A paixão produz perseverança”.

* Graduanda em Direito pelo UniCEUB e estagiária do Ministério da Justiça. É colaboradora do Café com Política, coordenando a série de debates “Brasília e o DF”.

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