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Um réquiem para a Lava Jato?

por Congresso em Foco Publicado em 06/09/2017 13:13

Mauro Zanatta *

Por mais que Rodrigo Janot tente reforçar que as provas obtidas pela PGR nas delações do grupo J&F seguem válidas, mesmo com um eventual e provável cancelamento do acordo de colaboração, fato é que a “trapalhada” do procurador-geral coloca sob risco total a Operação Lava Jato.

Às vésperas de deixar o posto, Janot mirou apenas o presidente Michel Temer, e não os quase 1.900 políticos citados por Joesley Batista e seus executivos nas delações. E a pressa para concluir o caso acabou por entornar o caldo…

Marcelo Camargo / Agência Brasil

Janot foi "afobado" e colocou em risco a Lava Jato, avalia jornalista

Ocorre que uma parte fundamental da Lava Jato está assentada sobre centenas de acordos de delação. Desde seus primeiros passos, em 2014, a operação foi alentada pelos depoimentos de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa.

A pergunta é simples: cancelado este acordo, desde que considerado viciado por omissões de informações relevantes, como ficam os demais? Políticos de todos os matizes estão ávidos para questionar no STF as provas trazidas não apenas nesta delação, mas na quase totalidade das 45 fases da Operação Lava Jato.

No Palácio do Planalto, e consta que também no avião presidencial que voltava da China com três escalas pelo caminho, há alívio geral e irrestrito dos convivas de Temer. Nos corredores do Congresso, paira um indisfarçável tom de galhofa em relação à PGR e Janot. Ouvem-se bordões boleiros, como “acabou!” e “pra cima deles!”. Eles, no caso, são os procuradores federais. Alguns lembram que a próxima PGR, Raquel Dodge, é adversária interna de Janot e, apostam, terá procedimentos e conduta bem diferentes. Talvez se enganem, o tempo dirá.

Mas em outra esfera, no frio curitibano, o juiz Sérgio Moro tem sob sua jurisdição aqueles cidadãos comuns (uns nem tanto), sem privilégio de julgamento pelo STF ou STJ. Boa parte desses também acabou presa e/ou condenada com base em delações.

A grande teia da Lava Jato, e seus intrincados acordos de colaboração, correm risco real de morrer na praia. E, agora, não mais por causa da “operação-abafa” costurada com afinco nos bastidores de Brasília.

A afobação do quase ex-PGR e de sua turma, e a cruzada sem fim contra Michel Temer, podem custar muito caro ao principal movimento anticorrupção que o Brasil já viu. Vivemos um réquiem para a Lava Jato?

* Mauro Zanatta é jornalista, sócio-diretor na CasaAgro Comunicação Digital, comentarista de política no Canal Rural e coautor dos livros Vida Brasileira, da Gazeta Mercantil, e da coletânea À Mesa com o Valor. O texto foi originalmente publicado no blog do autor.

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